As primeiras modas esportivas

Foi na Belle Epoque brasileira, período pré-Primeira Guerra Mundial marcado por prosperidade econômica e urbanização, que o Diário de Pernambuco passou a divulgar notícias sobre os esportes praticados em Pernambuco. Em maio de 1886, quatro mil pessoas ocuparam as margens do Rio Capibaribe para acompanhar uma corrida náutica que, juntamente ao remo e ao turfe, constituiu uma das modas desportivas seminais no estado. “A tarde estava explendida e o lugar das corridas garbosamente ataviado com bandeiras e garlhadetes, sobresahindo a archibancada, que foi ocupada por cerca de 500 espectadores, entre grande numero de senhoras”, relatava o jornal em 18 de maio de 1886, sobre a comemoração do aniversário de um ano do Club Regatas de Pernambucanos, situado no bairro da Capunga.

Numa cidade marcada por sua farta geografia fluvial, não foi por acaso que as regatas e o remo se revelaram como primeiros registros de lazer, que se transformariam, posteriormete, em atividades competitivas. O motivo responsável pelo surgimento de tais atividades desportivas durante o período também se encontra na profissionalização dos esportes, que, cada um com sua origem milenar, passam a contar com federações e associações, cuja função é divulgar e regulamentar suas práticas. Data de 1829 a participação das tradicionais universidades inglesas, como Cambrigde e Oxford, na promoção de competições de remo. Em 1892, o esporte ganha suas primeiras associações náuticas nos Estados Unidos e na Europa, a exemplo da Federátion Internacionale des Societés D´Aviron (FISA), entidade de maior autoridade sobre o esporte ainda nos dias atuais.

Antes disso, o Brasil registra a chamada Regata da Abolição, quando em 13 de maio de 1888, acontece uma disputa na praia do Botafogo, Rio de Janeiro. No Recife, o remo era esporte de elite, como fora o futebol no seu início, impulsionada por personalidades abastadas que chegavam da Europa com novidades de entretenimento. Na virada do século o esporte se tornou popular com diversas competições pela cidade que viu surgir em 1901 o Club Náutico Capibaribe, especialmente dedicado ao remo. Uma nota publicada em 11 de maio daquele ano divulgou a novidade: “Da ordem do sr. Presidente do Club Náutico Capibaribe, convido a todos os sócios a comparecerem a sede do mesmo”. A moda durou até a primeira década do século 20, quando o remo passou a dividir seu status com as novas diversões dos ricos do Recife: o turfe e o futebol.

Fonte: Coleção “A História em Revista” do Diário de Pernambuco

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